domingo, 9 de agosto de 2009

Gêmeos olhares

Não sei começar em primeira pessoa,todas as tentativas sobre o 'eu'resultaram em reflexos do que não se consegue ser.A verdade,contida,é que não sei me ver,não sei o meu lugar,desconheço meu tempo.Queria gritar de amor e me despir.Queria derrotar com gotas,sólidas,de lágrimas meus monstros imaginários,monstros me remete à novas criações,à novas histórias,mentiras...Fuga!
O espelho não me encara de frente,porque não alcanço seus olhos e meu grito corta meus punhos,me liberta,e me visto de grade.Sou a aparência que reflete e sorri,engana.Apesar de rir tão pouco.Estou chateada e nem sou.Invenção maluca de homens desocupados,criada meio sozinha,meio vazia.Sou um monte de meios e quanto mais tento chegar à borda,mais encontros meia sede vencida.Ser uma postura rígida,uma porta,esperando ansiosa pelo cupim que corrói e o espantando para não ver quem sou.Convivo comigo e tapo os ouvidos para minhas lorotas.
Acaricio minhas coxas,seguindo a canção de não saber o que sou.Corto os pulsos e sigo a linha,existo.Existo em uma linha onde nem sei se sou,nem sei o que estou. E não entendo,como tanto pode ser tão pouco.Olhos vidrados em janelas passadas,em janelas vizinhas,uma senhora na cozinha,que lê a borra do café e sabe que se é,do tempo que se vive.

Um comentário:

  1. Tem uma sutileza ao escrever!
    Coloca uma simplicidade, em um texto tão rico e completo! E mais nada poderei dizer, a não ser em primeira pessoa! A genialidade se dá na originalidade!

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